Brasil recebe 3 km de fibra óptica da China para novas infovias na Amazônia, ampliando a internet e a inclusão digital com sustentabilidade
A população da região amazônica está prestes a ganhar um reforço histórico na conectividade. O Brasil recebeu da China 3.170 quilômetros de cabos de fibra óptica e vai usá-los na implantação de três novas infovias. A iniciativa vai conectar municípios remotos da região Norte.
O Ministério das Comunicações coordena a operação em parceria com a Entidade Administradora de Faixa (EAF). A ação marca a maior logística de transferência de fibra óptica já realizada no programa Norte Conectado. O objetivo é ampliar o acesso à internet de qualidade e impulsionar a inclusão digital na Amazônia.
A transferência dos cabos para as embarcações nacionais deve levar 30 dias. A previsão é que o lançamento da estrutura nos leitos dos rios amazônicos comece em maio. As novas infovias fazem parte do Norte Conectado e vão fortalecer a conectividade em áreas rurais, ribeirinhas e remotas.
Impacto social e tecnologia sustentável
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou o impacto social do projeto. “Esse projeto vai muito além da infraestrutura. Ele promove desenvolvimento social e econômico”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa conecta escolas, unidades de saúde e órgãos públicos. Além disso, leva novas oportunidades para a população amazônica.
A remessa de cabos será destinada à implantação das infovias 05, 06 e 08. O volume total chega a cerca de cinco mil toneladas, o maior já movimentado dentro do programa. Em etapas anteriores, foram usados 2.400 quilômetros de fibra óptica. Na época, o material somava aproximadamente 3.600 toneladas nas infovias 02, 03 e 04, que já foram concluídas.
Cada cabo reúne 24 pares de fibra óptica e tem capacidade de transmissão de até 96 terabytes por segundo. Isso garante internet de alta velocidade mesmo em regiões isoladas. Os cabos são produzidos com materiais inertes e atóxicos. Eles não reagem com a água e não oferecem risco aos ecossistemas.
As equipes instalam os cabos de forma estável no leito dos rios. Isso assegura uma conectividade robusta com preservação ambiental. O Norte Conectado se destaca pelo compromisso com a sustentabilidade. Ao usar o modelo subfluvial, o projeto evita grandes obras terrestres e reduz o risco de desmatamento em áreas sensíveis da floresta amazônica.
Conectividade com preservação ambiental
A CEO da EAF, Gina Marques, também reforçou a proposta do programa. “Quando falamos em conectividade significativa, falamos de algo que vai além de sinal”, afirmou. Para ela, a iniciativa entrega uma infraestrutura pensada para durar. O foco é respeitar a floresta e alcançar regiões que historicamente ficaram à margem da conectividade.
Gina destaca que a fibra óptica pelos rios transforma desafios geográficos em oportunidades. Segundo ela, o Norte Conectado traduz política pública em impacto real. A iniciativa amplia o acesso a serviços essenciais e fortalece a cidadania digital na região.
O Norte Conectado é um dos principais programas estruturantes do Governo do Brasil para expandir a infraestrutura de comunicações na Amazônia Legal. A expectativa é beneficiar cerca de 7,5 milhões de pessoas. O programa deve contemplar 70 municípios nos estados do Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e Pará.
Com investimento estimado em R$ 1,3 bilhão, o projeto instala cabos de fibra óptica pelo leito dos rios. A estratégia evita a abertura de estradas e a derrubada de vegetação. A estimativa é que a iniciativa contribua para preservar mais de 50 milhões de árvores. A proposta une inclusão digital, desenvolvimento regional e sustentabilidade.



