Pesquisa revela que Geração Z valoriza monogamia, clareza nas relações e conexões autênticas no ambiente digital
Uma nova pesquisa do happn revelou um raio-X dos hábitos de namoro da Geração Z no Brasil, desmistificando mitos sobre mudanças nas estruturas de relacionamento. Apesar de todo o debate em torno da não-monogamia, os resultados mostram uma geração mais tradicional: 55% se identificam como estritamente monogâmicos e mais da metade, equivalente a 53%, afirma não enxergar benefícios em relacionamentos abertos. Essa percepção também vem acompanhada de autocrítica. Cerca de 36% dos respondentes consideram a própria geração desinteressada em compromisso, enquanto 30% descrevem os jovens atuais como confusos sobre o amor.
A pesquisa também destaca uma mudança significativa em direção a relacionamentos mais intencionais, nos quais a clareza passou a ter peso semelhante ao da aparência física. Para a Geração Z, transparência sobre o que uma pessoa procura é um dos fatores mais importantes na hora de dar um “like”. Segundo o levantamento, 34% priorizam intenções claras antes de iniciar uma conversa.
O desejo por honestidade surge como resposta direta às chamadas “red flags” modernas. O comportamento mais criticado pelos entrevistados é a demora proposital para responder mensagens. Para 35% dos jovens, agir com desinteresse estratégico é um dos hábitos mais desagradáveis nas interações digitais.
Relações mais intencionais
A linguagem agressiva ou preconceituosa também aparece entre os fatores mais rejeitados pelos participantes da pesquisa. Entre as mulheres, esse comportamento é decisivo para o desinteresse em 35% dos casos. Consequentemente, muitos jovens não buscam necessariamente um relacionamento sério ou apenas encontros casuais. O principal objetivo apontado pelos entrevistados são conexões “sem pressão”, opção escolhida por 35% dos participantes. A ideia é permitir que os relacionamentos evoluam de maneira mais espontânea e natural.
O estudo também mostra que o bem-estar digital se tornou um tema central para a Geração Z. Quase metade dos entrevistados, cerca de 47%, acredita que as redes sociais impactam negativamente sua visão sobre o amor. Segundo os jovens, as plataformas podem incentivar expectativas tóxicas e idealizadas sobre relacionamentos.
Essa fadiga digital ajuda a explicar a adoção cautelosa de novas tecnologias no universo amoroso. Embora 83% ainda não tenham integrado inteligência artificial às suas vidas afetivas, parte dos usuários já utiliza ferramentas do tipo como apoio emocional e comportamental.
Tecnologia e conexões
Entre os jovens que recorrem à IA, 47% afirmam buscar conselhos sobre comportamento e relacionamentos. Já 21% utilizam recursos presentes no próprio aplicativo, como o Perfect Date, para planejar encontros presenciais. A pesquisa sugere que a tecnologia é vista menos como substituta das relações humanas e mais como uma ferramenta para facilitar conexões reais e presenciais.
Para Karima Ben Abdelmalek, CEO e presidente do happn, os resultados mostram uma geração dividida entre o excesso de estímulos digitais e desejos afetivos mais tradicionais. “Os solteiros da Geração Z são muito intencionais em suas escolhas e querem que sua experiência de relacionamento permaneça transparente e humana”, afirma a executiva.
Segundo ela, os jovens priorizam responsabilidade emocional e autenticidade em vez de tendências momentâneas ou novos rótulos. Karima também destaca que o aplicativo busca incentivar conexões locais e mais genuínas entre os usuários.



