Ataque a mercado no estado de Níger deixa ao menos 30 mortos e pessoas sequestradas, segundo a polícia nigeriana
Um ataque a um mercado no norte da Nigéria deixou ao menos 30 mortos e várias pessoas sequestradas, segundo a polícia local, ampliando o clima de medo em comunidades rurais da região. O episódio ocorreu neste sábado (3), no vilarejo de Demo, no estado de Níger, área que vem sendo alvo frequente de ações de grupos armados. Testemunhas relataram cenas de pânico, correria e destruição, com barracas incendiadas e moradores tentando fugir sob disparos. As autoridades afirmam que as operações de busca seguem em andamento, enquanto líderes locais cobram maior presença das forças de segurança.
De acordo com a polícia, homens armados invadiram o mercado Kasuwan Daji por volta das 16h30, horário local, quando o espaço estava cheio de comerciantes e clientes. Os agressores chegaram em motocicletas, uma tática comum em ataques na região, o que dificultou a reação imediata dos moradores. Os homens armados incendiaram barracas e saquearam alimentos, ampliando o rastro de destruição deixado pelo grupo. O porta-voz da polícia, Wasiu Abiodun, informou que mais de 30 pessoas morreram durante a ofensiva. Ele confirmou ainda que várias vítimas foram levadas à força pelos criminosos. Segundo Abiodun, as autoridades mobilizaram equipes de segurança para tentar localizar os sequestrados. Moradores afirmam que o ataque durou vários minutos, tempo suficiente para causar pânico generalizado. A ausência imediata de forças de segurança foi apontada como fator que agravou o número de vítimas.
Testemunhos relatam violência indiscriminada
Sobreviventes descrevem que os disparos atingiram homens, mulheres e crianças sem distinção, o que reforça a brutalidade do ataque. Dauda Shakulle, ferido enquanto tentava fugir, disse que não houve qualquer tipo de aviso antes da invasão. Ele relatou que moradores passaram horas recolhendo corpos após a retirada dos agressores. Outra testemunha, Khalid Pissa, afirmou que os homens armados também atacaram comunidades vizinhas, como Chukama e Shanga. Pissa estima que o número de mortos possa ser ainda maior do que o divulgado oficialmente. Relatos indicam que muitas famílias abandonaram suas casas com medo de novos ataques. O clima na região é de tensão constante e insegurança. Líderes comunitários pedem apoio humanitário e reforço policial imediato.
O ataque ocorre em meio ao aumento do banditismo no noroeste e no centro da Nigéria, onde grupos armados realizam assassinatos e sequestros em série. Nas últimas semanas, criminosos sequestraram mais de 300 crianças e funcionários de uma escola católica em outro estado do país. Essas vítimas só foram libertadas após quase um mês em cativeiro, o que intensificou críticas à atuação do governo. Especialistas afirmam que a combinação de pobreza, disputas locais e fácil acesso a armas alimenta a violência. As forças de segurança enfrentam dificuldades logísticas para cobrir áreas extensas e de difícil acesso. Apesar de operações militares em curso, os ataques continuam frequentes. Autoridades locais reconhecem a necessidade de estratégias mais eficazes e cooperação com comunidades. O episódio em Demo reforça a urgência de respostas mais consistentes para conter a escalada da violência.



