Naufrágio de barco com 305 imigrantes na costa de Djibuti deixa 139 mortos e ao menos 84 desaparecidos, segundo a OIM
Ao menos 139 pessoas morreram depois que um barco com imigrantes naufragou na costa de Djibuti, no leste da África, informou neste domingo, 11, a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Entre as vítimas estão 15 crianças. A embarcação transportava 305 pessoas em direção ao Iêmen pelo estreito de Bab el-Mandeb.
O barco partiu de Djibuti na noite de quinta-feira 8 e afundou pouco depois, próximo ao litoral. Segundo a OIM, a superlotação teria contribuído para o acidente. Mais de 80 pessoas sobreviveram, todas de nacionalidade etíope. Ao menos 84 continuam desaparecidas, e a organização alertou que o número de mortos pode aumentar.
‘Devastador’
Entre os corpos recuperados estão os de nove meninas e seis meninos. Parte das vítimas foi enterrada pelas próprias comunidades de migrantes, e esses casos ainda não foram incluídos na contagem oficial porque precisam ser confirmados pelas autoridades.
“É devastador”, afirmou Alexandre Coissac, chefe da missão da OIM em Djibuti. Segundo ele, as autoridades locais ficaram sobrecarregadas diante do número de corpos levados simultaneamente à praia. Os mortos foram enterrados sem identificação, em uma vala comum.
Os sobreviventes foram encaminhados a um centro da OIM na cidade de Obock, onde recebem atendimento médico e psicológico. Muitos apresentavam sinais de choque após o naufrágio. Alguns já foram informados sobre a morte de familiares; outros receberam acesso a telefones para avisar parentes de que estão vivos.
Rotas migratórias
O trajeto entre o Chifre da África e a Península Arábica é utilizado todos os anos por dezenas de milhares de migrantes, principalmente etíopes, que atravessam Djibuti e o estreito de Bab el-Mandeb em busca de trabalho e melhores condições de vida nos países do Golfo, como a Arábia Saudita.
A rota, porém, é considerada uma das mais perigosas do mundo. Segundo o Projeto Migrantes Desaparecidos, da OIM, mais de 900 pessoas morreram ou desapareceram no trajeto no ano passado, enquanto o número de migrantes que fizeram a travessia cresceu 18%.
A travessia continua mesmo com a escalada dos conflitos no Iêmen, localizado do outro lado do estreito. Nos últimos meses, os combates se intensificaram entre o governo iemenita, reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, e os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã. A violência levou milhares de iemenitas a buscar refúgio em Djibuti, no sentido oposto ao dos migrantes africanos que fazem a rota em busca de trabalho nos países do Golfo Pérsico.
Para a diretora-geral da OIM, Amy Pope, a tragédia evidencia a necessidade de ampliar alternativas seguras e legais para a migração. “Não podemos continuar tratando essas mortes como algo normal”, afirmou.



