Luma Vidal cria “Contos da Madá”, série de microdramas que une romance, ficção, referências reais e inteligência artificial
Antes de ganhar rosto, voz e movimento nas redes sociais, Madá nasceu na escrita. A personagem é uma criação da atriz e comunicadora Luma Vidal, que começou a escrever ainda criança. Aos 10 anos, Luma já mantinha diários nos quais registrava acontecimentos, sentimentos e impressões sobre o cotidiano. O hábito atravessou a adolescência e só deixou de fazer parte de sua rotina diária na vida adulta.
“Eu sempre gostei muito de escrever. Comecei com diários aos 10 anos e passei boa parte da vida registrando o meu dia a dia. Acho que daí vem também essa vontade de observar situações comuns, guardar detalhes e transformá-los em histórias”, conta.
Na adolescência, outra paixão ajudaria a formar o repertório que daria origem a Madá: os chamados romances de banca, ou pulp romances. Luma era leitora especialmente da linha Sabrina, conhecida pelas histórias de amor curtas, de leitura rápida, publicadas em formato de bolso e tradicionalmente vendidas em bancas de jornal.
Foi inspirada nesse universo que ela criou Madá, inicialmente com a intenção de escrever um livro seguindo a atmosfera dos romances que havia devorado na adolescência.
“Eu adorava os romances de banca, principalmente Sabrina. Eram histórias que você começava e queria chegar logo ao final para descobrir se aquele amor daria certo. Quando criei a Madá, a ideia era justamente escrever um livro nesse estilo. Ela nasceu para viver uma grande história de amor.”
O livro não chegou a ser publicado, mas Madá continuou existindo nos textos e no imaginário de sua criadora. Em 2026, a popularização dos microdramas verticais e o avanço das ferramentas de inteligência artificial abriram uma nova possibilidade para a personagem. Em vez das páginas de um romance de bolso, Madá ganhou a tela do celular.
Nasceu assim “Contos da Madá”, projeto autoral que combina dramaturgia, narrativa seriada, estética cinematográfica e inteligência artificial para contar histórias ficcionais em episódios curtos produzidos para as redes sociais.
“Quando percebi o crescimento dos microdramas, enxerguei uma linguagem que tinha tudo a ver com a origem da Madá. Os romances de banca também eram histórias envolventes, diretas e feitas para você consumir rapidamente e querer continuar. Mudou o formato, mas existe uma essência muito parecida”, explica Luma.
Uma ficção atravessada pela vida real
Uma das características que Luma pretende explorar nos próximos episódios é justamente a fronteira entre o universo ficcional de Madá e elementos de sua própria vida.
A ideia é convidar colegas atores, familiares e amigos próximos para participações especiais, dando vida a personagens que cruzam o caminho da protagonista. Assim, um garçom que aparece por alguns segundos em um restaurante pode ser interpretado por um parente; o personal trainer, por um amigo; a atendente de uma loja, por sua própria sócia. A proposta é que essas participações se tornem pequenas surpresas para quem acompanha a série.
“Quero brincar com essa mistura. A história da Madá é ficção, mas o mundo ao redor dela pode carregar pedacinhos da minha vida. Posso convidar um colega ator para interpretar um personagem, colocar um amigo como personal trainer, um familiar como garçom ou minha sócia como atendente de uma loja. São pequenas participações que criam uma conexão afetiva entre aquilo que eu escrevo e aquilo que eu vivo.”
Essa lógica não se restringe às pessoas. Lugares, objetos, marcas e referências que fazem parte do cotidiano de Luma também podem atravessar a narrativa de maneira orgânica.
Quem é Madá
Romântica, intensa e bem-humorada, Madá acredita no amor e continua procurando seu “felizes para sempre”, mas está longe da figura da mulher que depende de um relacionamento para existir.
Ela é independente, segura de si, curiosa e dona da própria história. Seus encontros, desencontros, teorias e expectativas amorosas servem como ponto de partida para situações que misturam romance, humor e identificação com o cotidiano.
A inteligência artificial é utilizada como ferramenta para transformar o universo imaginado e escrito por Luma em audiovisual, materializando personagens, ambientes e cenas sob sua direção criativa. A entrada de atores reais em participações especiais acrescentará uma nova camada a essa proposta, colocando pessoas reais dentro de um universo visual construído com auxílio da tecnologia.
Da banca para a tela do celular
A trajetória de Madá acaba atravessando diferentes formas de contar histórias. A inspiração veio dos pequenos romances vendidos em bancas. A personagem nasceu na escrita. Décadas depois, encontrou nos microdramas e na inteligência artificial uma maneira de finalmente sair do papel.
Para Luma, porém, a tecnologia mudou a maneira de produzir, não aquilo que faz uma história funcionar. “A IA me deu a possibilidade de transformar em imagem algo que existia na minha cabeça e nos meus textos. Mas a tecnologia sozinha não cria vínculo com o público. No final, continuamos querendo a mesma coisa que eu queria quando abria um Sabrina na adolescência: nos apaixonar pelos personagens, torcer por eles e descobrir se aquela história vai terminar com um felizes para sempre.”
No caso de Madá, a resposta ainda vai precisar de alguns capítulos.



