Péter Magyar tomou posse como primeiro-ministro da Hungria e prometeu reformas políticas, combate à corrupção e reaproximação com a União Europeia
Péter Magyar, líder de centro-direita do partido Tisza, tomou posse neste sábado (9) como novo primeiro-ministro da Hungria e encerrou um ciclo de 16 anos de governo de Viktor Orbán. Magyar venceu as eleições parlamentares de abril com maioria constitucional. O resultado garantiu ao novo governo amplo espaço para promover mudanças políticas e econômicas no país. Em seu primeiro discurso oficial, o premiê afirmou que pretende “servir” à população húngara. Ele também declarou que a eleição representa o início de uma nova etapa para o país.
O novo líder prometeu combater a corrupção e rever políticas adotadas pela antiga gestão. Magyar afirmou ainda que deseja reconstruir as relações da Hungria com a União Europeia. Apoiadores acompanharam a posse do lado de fora do Parlamento, em Budapeste. Telões foram instalados para transmitir a cerimônia ao público presente. A vitória do novo premiê foi bem recebida por parte do mercado financeiro europeu. Após o resultado das eleições, o forint atingiu seu melhor nível em quatro anos diante do euro.
Novo governo promete reaproximação com a União Europeia
Durante os últimos anos, o governo Orbán acumulou tensões com líderes europeus. A Hungria foi alvo de críticas relacionadas ao Estado de Direito, liberdade de imprensa e independência das instituições. Bruxelas também suspendeu bilhões de euros em repasses destinados ao país. O bloqueio ocorreu em meio aos conflitos políticos entre a União Europeia e o antigo governo húngaro. Agora, Péter Magyar tenta negociar a liberação desses recursos.
O novo primeiro-ministro afirmou que pretende chegar a um acordo com líderes europeus até o dia 25 de maio. Segundo ele, os recursos são fundamentais para fortalecer a economia do país. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, parabenizou Magyar pela posse. Ela afirmou que a renovação política na Hungria envia um sinal importante para a Europa. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também comentou a mudança de governo. Para ele, a posse representa um novo capítulo na história política húngara.
Economia será um dos principais desafios do novo premiê
Péter Magyar assume o cargo em meio a dificuldades econômicas e pressão nas contas públicas. Dados divulgados na sexta-feira (8) mostraram que o déficit orçamentário já atingiu 71% da meta anual prevista para 2026. Parte desse aumento foi atribuída aos gastos realizados antes das eleições. O novo premiê afirmou que o déficit pode alcançar 7% do Produto Interno Bruto neste ano. A economia húngara começou a sair da estagnação apenas no primeiro trimestre de 2026. Mesmo assim, o país ainda sofre impactos do aumento nos custos de energia provocado pelas tensões no Oriente Médio.
A Hungria depende fortemente de importações energéticas, o que amplia a pressão econômica. Magyar afirmou que pretende recuperar a confiança de investidores internacionais. O novo governo também prometeu ampliar medidas de transparência administrativa. Outra promessa envolve mudanças na mídia pública húngara. O premiê acusa veículos estatais e pró-Orbán de favorecerem o antigo governo durante anos. Segundo Magyar, o objetivo agora será ampliar o espaço para diferentes correntes políticas e opiniões.
Mudança política marca nova fase no país
A chegada de Péter Magyar ao poder representa uma das maiores mudanças políticas recentes na Hungria. Viktor Orbán governava o país desde 2010 e se tornou uma das figuras mais influentes da direita europeia. Durante sua gestão, aproximou-se do Kremlin e criticou parte das políticas adotadas pela União Europeia. Orbán também se opunha a iniciativas europeias de apoio militar à Ucrânia. Magyar afirmou que pretende reafirmar a orientação ocidental da Hungria dentro da Otan e da União Europeia. O novo premiê defende uma postura diplomática mais próxima dos aliados europeus.
Ele também prometeu uma ampla campanha anticorrupção dentro do governo. Analistas avaliam que os primeiros meses da nova gestão serão decisivos para medir a capacidade de Magyar de implementar as reformas prometidas. A maioria parlamentar conquistada pelo partido Tisza deve facilitar mudanças legislativas importantes. Ao mesmo tempo, o governo enfrentará forte pressão para apresentar resultados econômicos rápidos. A população acompanha o início do novo mandato com expectativa sobre o futuro político e econômico do país.



