Programa Move Brasil já liberou quase R$ 2 bilhões em crédito para caminhões, impulsionando vendas, empregos e renovação da frota no início de 2026
O programa Move Brasil começou 2026 com impacto imediato no setor de transportes ao liberar quase R$ 2 bilhões em financiamentos para a compra de caminhões novos e seminovos. O volume foi alcançado no primeiro mês de vigência da iniciativa, apresentada como resposta à forte retração do mercado observada ao longo de 2025.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anunciou a medida neste domingo (8), durante evento realizado em Guarulhos, na Grande São Paulo. A medida busca destravar investimentos represados pelo custo elevado do crédito e estimular a modernização da frota nacional, considerada estratégica para o escoamento da produção.
Crédito para destravar um mercado em retração
O desempenho inicial do Move Brasil ocorre em um cenário de queda acentuada nas vendas de caminhões, após um recuo de 9,2% no total do mercado em 2025. Nos modelos pesados, voltados ao transporte de longas distâncias, a retração foi ainda mais expressiva, alcançando 20,5% na comparação com 2024. Dados da Anfavea indicam que o setor iniciou 2026 com nova desaceleração, acumulando queda de 34,67% em janeiro frente ao mesmo mês do ano anterior.
Para o governo, a principal barreira ao investimento foi a taxa de juros elevada, que chegou a patamares acima de 22% ao ano. Alckmin destacou que o país vive recordes de safra e exportação, o que amplia a demanda por transporte rodoviário eficiente. Nesse contexto, a resposta ao crédito subsidiado foi rápida, com cerca de R$ 1,9 bilhão contratado nas primeiras semanas. A expectativa oficial é que o programa ajude a antecipar decisões de compra e a reorganizar o ritmo de produção das montadoras.
Renovação da frota e efeitos no emprego
Além de estimular vendas, o Move Brasil tem como foco a substituição de caminhões antigos por modelos mais eficientes e menos poluentes. O empresário Orlando Boaventura, dono de uma transportadora em Santa Isabel, relatou que utilizou o financiamento para adquirir o 29º caminhão da frota familiar. Segundo ele, veículos mais novos podem reduzir em até R$ 200 o gasto de combustível em uma única viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro.
A economia operacional, somada a taxas entre 13% e 14% ao ano, pesou na decisão de investir agora. A empresa planeja contratar mais cinco funcionários ainda em 2026. Representantes dos trabalhadores afirmam que o programa contribui para preservar empregos diretos e indiretos em toda a cadeia automotiva. O setor envolve fábricas, concessionárias, indústrias de autopeças e serviços logísticos, com forte efeito multiplicador sobre a economia regional.
Regras do programa e perspectivas para 2026
O Move Brasil opera com recursos do Tesouro Nacional e do BNDES e terá um teto total de R$10 bilhões em crédito. Do montante total, o programa reserva R$1 bilhão exclusivamente para caminhoneiros autônomos e cooperados. Podem ser financiados caminhões novos e seminovos fabricados a partir de 2012, desde que atendam a critérios ambientais. O limite por beneficiário é de até R$50 milhões, com prazo máximo de cinco anos e carência de até seis meses.
Todas as operações contam com cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos, que assegura até 80% do valor financiado. Segundo Alckmin, o programa não tem prazo definido para encerramento e permanecerá ativo até o esgotamento dos recursos. Executivos da indústria defendem a manutenção da iniciativa, mesmo com a expectativa de queda gradual da taxa Selic ao longo do ano, por seu efeito imediato sobre a confiança do mercado.



