HC-UFMG será o primeiro hospital universitário federal a oferecer cirurgias robóticas pelo SUS, com previsão de até 500 operações anuais
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), em Belo Horizonte, será o primeiro hospital universitário federal do país a receber um equipamento de cirurgia robótica para atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão é realizar de 350 a 500 procedimentos por ano, inicialmente na área de urologia. A aquisição do aparelho, no entanto, ainda depende de licitação, e o início das operações ocorrerá após a instalação da tecnologia e a preparação das equipes.
A iniciativa integra um projeto da HU Brasil, estatal vinculada ao Ministério da Educação responsável pela gestão dos hospitais universitários federais, para ampliar o acesso a procedimentos de alta complexidade na rede pública. Segundo a empresa, os recursos para a implantação já foram liberados pelo Ministério da Saúde. O processo de compra poderá levar até 60 dias, seguido pela instalação dos equipamentos e pela adaptação das salas cirúrgicas.
Além do hospital mineiro, outras três unidades universitárias federais, localizadas no Maranhão, no Espírito Santo e em Brasília, foram selecionadas para receber recursos destinados à implantação da tecnologia. A HU Brasil também prevê ampliar o projeto para outras 12 unidades da rede em 2027.
A estimativa de 350 a 500 cirurgias por ano no HC-UFMG foi apresentada por Alexandre Rodrigues Ferreira, superintendente da instituição. O atendimento será gratuito e destinado a pacientes encaminhados pelo SUS, de acordo com os critérios clínicos e os mecanismos de regulação da rede pública.
Urologia será a primeira especialidade atendida
A implantação da cirurgia robótica no hospital começará pela urologia, especialmente em procedimentos relacionados ao tratamento do câncer de próstata. A escolha considera a experiência dos profissionais e a utilização da técnica nessa área. A incorporação de outras especialidades dependerá do desenvolvimento de pesquisas e da elaboração de protocolos clínicos.
Na cirurgia robótica, o médico controla instrumentos cirúrgicos acoplados a braços mecânicos por meio de um console. O sistema permite executar movimentos precisos e pode possibilitar incisões menores, com potencial para reduzir danos aos tecidos, sangramentos e complicações no pós-operatório. Os resultados, porém, variam conforme o procedimento realizado e as condições de cada paciente.
A tecnologia também pode contribuir para diminuir o tempo de internação e acelerar a recuperação. Esses possíveis benefícios estão entre os fatores considerados na expansão da técnica para a rede pública, embora o custo de aquisição e de manutenção dos equipamentos represente um desafio para a ampliação do serviço.
A expectativa da HU Brasil é que a experiência inicial ajude a produzir evidências científicas sobre o uso da cirurgia robótica nos hospitais universitários federais. Os resultados poderão subsidiar a elaboração de protocolos e orientar a incorporação de novos procedimentos, de acordo com as necessidades dos pacientes e a capacidade de cada unidade.
Tecnologia também será usada na formação de médicos
Além da assistência, o projeto prevê o treinamento de profissionais. O HC-UFMG conta com um Centro de Simulação Realística em Cirurgia Robótica, estrutura que poderá ser utilizada na preparação de médicos e residentes antes da realização de procedimentos em pacientes.
A formação é uma das frentes da iniciativa, que busca integrar atendimento, ensino e pesquisa nos hospitais universitários. A capacitação dos profissionais será importante para a implantação do serviço e para a ampliação gradual das especialidades atendidas.
A escolha do HC-UFMG levou em consideração, segundo a HU Brasil, a experiência da instituição na assistência e na formação de profissionais, além de sua atuação em pesquisa científica. A unidade faz parte de uma rede de 47 hospitais universitários federais administrados pela estatal.
A implantação da cirurgia robótica em Belo Horizonte faz parte de uma estratégia para ampliar o acesso à tecnologia no SUS. A expansão para outras unidades, prevista para as próximas etapas do projeto, dependerá da aquisição dos equipamentos, da preparação das equipes e da organização dos serviços.



