Incêndios florestais ameaçam cidade histórica francesa de Bordeaux

Incêndios florestais ameaçam cidade histórica francesa de Bordeaux

Incêndios florestais atingem França e Espanha, retiram mais de 300 mil pessoas e ameaçam regiões como Bordeaux e Ávila


Os bombeiros combateram nesta segunda-feira enormes incêndios florestais que ameaçavam a cidade e a região vinícola de Bordeaux, na França. Enquanto isso, equipes na Espanha se esforçavam para controlar uma série de incêndios florestais que assolavam o país desde a semana passada. O verão extremamente quente e seco na Europa Ocidental provocou o cenário atual.

Cerca de 220 mil pessoas, incluindo turistas e moradores locais, foram retiradas na França. Na vizinha Espanha, quase 100 mil foram orientadas a deixar suas casas, informaram as autoridades.

Os incêndios na França, que começaram na semana passada perto da costa atlântica, estão agora a apenas 15 quilômetros dos pontos de acesso à principal área metropolitana de Bordeaux.

“Este é um incêndio de uma magnitude nunca vista antes”, disse Jérôme Steffe, prefeito de Cestas, nesta segunda-feira. Cestas é um dos subúrbios nos arredores da área central de Bordeaux.

A propagação dos grandes incêndios que convergem para o centro da Espanha diminuiu durante a noite graças a condições climáticas mais favoráveis, informaram as autoridades. Porém, um incêndio isolado na província de Castellón, no leste do país, continuou fora de controle. A agência meteorológica também alertou para outra possível onda de calor nesta semana.

“O que estamos vivendo não é uma sucessão de eventos isolados. É a expressão mais dolorosa de uma emergência climática que está tornando os incêndios florestais de sexta geração mais ferozes, as ondas de calor mais frequentes e nosso território mais vulnerável”, afirmou o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, nesta segunda-feira.

Incêndios de sexta geração preocupam autoridades

Os chamados incêndios de sexta geração são a categoria mais extrema e incontrolável de incêndios florestais. Eles são capazes de gerar seu próprio clima e destruir milhares de hectares por hora. Muitos cientistas atribuem esses incêndios e ondas de calor às mudanças climáticas causadas pelo homem.

Maria Angeles Serrano, que foi retirada em Castellón, disse que temia pela natureza que está sendo devastada: “Os danos materiais são uma coisa, mas isso pode ser reparado, por assim dizer. O que realmente dói é a perda emocional.”

Os incêndios florestais nos arredores de Bordeaux, no sudoeste da França, causaram um choque na economia regional, afirmou nesta segunda-feira o ministro das Finanças, Roland Lescure. A região é um dos centros da produção vinícola francesa e um importante polo turístico.

“É como um estrondo de trovão para uma região que poderia ter passado sem isso”, disse Lescure aos repórteres.

O governo do presidente da França, Emmanuel Macron, deve discutir a situação dos incêndios florestais em uma reunião de gabinete na segunda-feira.

No centro da Espanha, três frentes de incêndio distintas permaneciam ativas nas montanhas a noroeste de Madri. As autoridades estimam que os incêndios já queimaram 77 mil hectares nas províncias de Madri, Toledo e Ávila. O incêndio em Ávila foi classificado como o maior da história recente da Espanha.

“Hoje e amanhã são dias absolutamente cruciais no combate a esse incêndio florestal. A partir de quarta-feira, as previsões meteorológicas se tornam significativamente mais desfavoráveis para as operações de combate ao fogo, mas continuamos confiantes”, disse o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska.

Onda de calor aumenta risco de novos incêndios

A França enfrentou uma situação semelhante, com condições mais favoráveis nesta segunda-feira, antes que as temperaturas voltem a subir para até 37°C no final desta semana na região de Bordeaux, de acordo com as previsões do serviço meteorológico francês.

“É uma corrida contra o tempo antes que a onda de calor retorne”, disse o prefeito de Cestas, Steffe.

Tanto em Bordeaux quanto em Ávila, as temperaturas máximas de julho ficaram em média em 32 graus Celsius, quase 6°C acima da média normal do mês entre 1961 e 1990, de acordo com o Reuters Climate Monitor.

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