Cão Orelha morre após agressão de 4 adolescentes em SC; investigação apura coação

Cão Orelha morre após agressão de 4 adolescentes em SC; investigação apura coação

Caso Orelha: Polícia Civil investiga morte de cão comunitário em Florianópolis, identifica adolescentes e apura coação de testemunhas


A morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, mobilizou moradores, ativistas e autoridades em Santa Catarina. Orelha, que tinha cerca de 10 anos, era conhecido na região e recebia cuidados coletivos da comunidade, segundo relatos divulgados por entidades locais. O caso ganhou repercussão nacional após a confirmação de que o animal foi agredido por adolescentes e não resistiu aos ferimentos. Desde então, a Polícia Civil intensificou a apuração e passou a divulgar detalhes do andamento do inquérito. 

Até esta quarta-feira (28), as investigações indicavam quatro adolescentes como suspeitos pelas agressões e três adultos sob apuração por suposta coação de testemunhas. O caso também reacendeu debates sobre proteção de animais comunitários e sobre os limites da responsabilização quando os envolvidos são menores de idade. As autoridades reforçaram que o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a divulgação de informações e imagens dos adolescentes. A expectativa, agora, é que os próximos passos da investigação esclareçam a dinâmica da agressão e a participação de cada suspeito.

O que aconteceu com Orelha

Segundo a Polícia Civil, as agressões contra Orelha teriam ocorrido no dia 4 de janeiro. No dia seguinte, moradores encontraram o cão ferido, levaram o animal para atendimento veterinário e os veterinários já consideraram o quadro grave desde o início. Os exames periciais apontaram que um objeto sólido atingiu o animal na cabeça, mas a polícia ainda não localizou esse objeto. Diante da gravidade das lesões, Orelha foi submetido à eutanásia, medida adotada para evitar sofrimento prolongado. 

A Polícia Civil informou que só foi comunicada formalmente sobre o caso no dia 16 de janeiro, o que abriu uma janela maior entre o crime e o início da investigação. Mesmo assim, equipes especializadas iniciaram coleta de depoimentos e análise de imagens para reconstruir a sequência de fatos. A Delegacia de Proteção Animal e a Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei assumiram a investigação do caso. O objetivo foi apurar tanto o crime de maus-tratos quanto as condutas que poderiam ter interferido no andamento do processo. A corporação também afirmou que o caso reúne provas obtidas em diferentes pontos da Praia Brava.

Mandados e finvestigação

Na segunda-feira (26), a Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos adolescentes e de seus responsáveis legais. A operação também incluiu endereços relacionados a adultos investigados por suposta coação ligada ao andamento do caso. De acordo com a delegada Mardjoli Valcareggi, a equipe ouviu mais de 20 pessoas e analisou mais de 72 horas de imagens, reunidas a partir de 14 câmeras públicas e privadas. O material, segundo ela, foi essencial para confirmar o percurso do animal e para identificar os suspeitos. 

Após a operação, a corporação informou ter identificado quatro adolescentes suspeitos pelas agressões e três familiares investigados por pressionar testemunhas. A polícia apreendeu celulares e dispositivos eletrônicos, buscando elementos que indiquem mensagens, ameaças ou tentativas de interferência. O indiciamento por coação, se confirmado, pode ampliar a gravidade do caso para além do crime de maus-tratos. Ao mesmo tempo, a investigação segue sob sigilo em partes específicas, principalmente por envolver menores. A corporação reforçou que a responsabilização dos adolescentes ocorre por meio de medidas socioeducativas previstas na legislação.

Outros desdobramentos

Além de Orelha, as autoridades afirmaram que outro cão comunitário teria sido alvo do mesmo grupo. Segundo a delegada, os adolescentes jogaram um cachorro conhecido como Caramelo no mar, mas o animal conseguiu escapar. O cão foi posteriormente adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, o que aumentou ainda mais a atenção pública ao caso. Em entrevista, Ulisses Gabriel informou que dois dos quatro adolescentes suspeitos estavam nos Estados Unidos em uma viagem pré-programada e que deveriam retornar ao Brasil na semana seguinte. A Polícia Civil também adotou medidas de segurança para lidar com possíveis manifestações na chegada dos jovens, já que o caso gerou forte reação nas redes sociais. 

Com a repercussão nacional, surgiram tentativas de associação de pessoas que não têm relação com os suspeitos, o que ampliou a circulação de boatos. Um casal citado em publicações, Cynthia e Alberto Ambrogini, relatou ter recebido ameaças e registrou boletim de ocorrência, segundo a defesa. A Polícia Civil reforçou que denúncias devem ser encaminhadas pelos canais oficiais e que perseguições virtuais podem gerar responsabilização. Enquanto isso, moradores e entidades seguem cobrando justiça e maior proteção a animais comunitários na região.

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