Dois seguranças de rua são presos no Rio por espancar até a morte um ciclista de 37 anos, acusado sem provas de furtar uma bicicleta
Os dois seguranças de rua que espancaram até a morte o ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, se entregaram à polícia nessa quinta-feira (20). O crime contou com a participação de dois entregadores de venda delivery que estão sendo procurados pela polícia.
Os agressores espancaram a vítima por nove minutos, desferiram mais de 30 golpes de porrete na cabeça e deram chutes no tórax e na barriga. Os seguranças desconfiaram que Cláudio Rafael tinha furtado a bicicleta que estava com ele.
O ciclista tinha saído de casa na noite do dia 11 deste mês, pedalando de Botafogo até a Rua Belford Roxo, em Copacabana, na zona sul da cidade. Ele estava com a bike de sua irmã, como fazia habitualmente.
Seguranças atacaram a vítima sem provas
Em Copacabana, sem qualquer prova, os dois seguranças iniciaram uma abordagem à vítima. Um deles, Davi Santos Machado, com um porrete na mão, começou o interrogatório. Perguntou se a bicicleta era de Cláudio Rafael. Por ter um transtorno psicológico, o jovem respondeu que não, sem conseguir completar a frase. “Não, é minha. é da minha irmã”, disse.
O outro segurança de rua, Jorge Luiz Ricardo Dias, tomou a bicicleta da vítima e a levou com ele. Cláudio tentou segurar a bicicleta, e Davi o espancou pela primeira vez. Sozinha, a vítima foi até a Rua Felipe de Oliveira e ficou sentada na escadaria de um prédio.
Foi ali que começou a sessão de tortura e espancamento. Com o bastão, Davi Santos começou a bater em Cláudio. Ele tentou fugir, mas os entregadores o derrubaram. A sessão de linchamento durou nove minutos e a vítima foi deixada desacordada. Antes de ir embora, Davi tirou fotos de Cláudio inconsciente, com um celular. Um dos entregadores ainda revistou o bolso do rapaz.
Suspeitos respondem por homicídio qualificado
Trinta minutos depois, os bombeiros chegaram, socorreram a vítima e a levaram para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas ela não resistiu aos ferimentos. Ele morreu na madrugada do dia 12. A causa da morte foi “traumatismo craniano e hemorragia interna”.
De acordo com o delegado titular da 12ª DP (Copacabana), Ângelo Lages, os quatro suspeitos de participarem das agressões vão responder “por homicídio triplamente qualificado”. A Justiça classificou o crime como triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
A polícia está à procura dos dois homens que usavam mochila de entregadores e não se apresentaram para prestar depoimento.



