Poluição sonora nas cidades vai além da audição e pode causar estresse, insônia, hipertensão e outros problemas de saúde
A poluição sonora nos grandes centros urbanos representa um problema crescente e ainda subestimado. Embora frequentemente associada apenas à perda auditiva e ao zumbido, a exposição contínua ao ruído ambiental também pode provocar alterações fisiológicas. Ela também pode causar distúrbios do sono, estresse, aumento da pressão arterial e outros agravos à saúde.
“Apesar de muitas vezes negligenciada por não ser visível, a poluição sonora causa impactos reais e mensuráveis na saúde da população. Portanto, é fundamental ampliar a conscientização sobre os prejuízos do ruído ambiental”, alerta a fonoaudióloga Mariene Terumi Umeoka Hidaka (CRFa 2-5323), do Conselho Regional de Fonoaudiologia da 2ª Região (CREFONO2).
Durante o “I Encontro Brasileiro pela Despoluição Sonora”, realizado no ano passado pela Fundação Getulio Vargas, a capital paulista foi apontada como a sétima metrópole mais barulhenta do mundo. Entre os principais fatores que contribuem para esse cenário estão o tráfego intenso de veículos. Também estão incluídas máquinas industriais em operação, atividades da construção civil e a realização de eventos com música amplificada e grande aglomeração de pessoas.
Impactos e cenário internacional
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a poluição sonora como a segunda maior causa de poluição no mundo. A entidade também classifica o problema como uma questão relevante de saúde pública. Em países como Japão, Alemanha, China, Portugal e Estados Unidos já existem legislações nacionais. Esses países também adotam políticas estruturadas de controle e redução do ruído ambiental. No Brasil, o tema ainda recebe atenção insuficiente nas políticas públicas.
No entanto, na capital paulista, movimentos da sociedade civil, órgãos públicos e entidades privadas têm promovido ações conjuntas. Esses grupos também discutem propostas legislativas para enfrentamento do problema. Como exemplo, recentemente foi realizada a 4ª Conferência Municipal sobre Ruído, Vibração e Perturbação Sonora. O evento teve como tema “São Paulo rumo à Despoluição Sonora – INAD 2026”.
Para a fonoaudióloga do CREFONO2, é urgente que o tema avance na agenda pública. “É preciso que gestores municipais, estaduais e federais desenvolvam estratégias específicas para mitigar a poluição sonora nas cidades. Essa necessidade é ainda maior nos grandes centros urbanos. Reduzir o ruído é uma medida de proteção coletiva à saúde. Também é um passo essencial para cidades mais sustentáveis.”



