Milei acusa sua vice de proximidade com a esquerda e minimiza sua influência no governo, revelando possível racha político na Argentina
Javier Milei, presidente da Argentina, causou polêmica ao afirmar que sua vice, Victoria Villarruel, está distante das decisões governamentais. Em entrevista ao jornal La Nación, Milei declarou que a relação entre ambos é “meramente institucional” e acusou Villarruel de se aproximar da “casta” política e de setores de esquerda. Essa situação acende alertas sobre um possível racha dentro do governo ultraliberal, que já enfrenta desafios significativos.
Conflitos políticos e distanciamento da vice
Segundo Milei, Villarruel “não tem nenhuma ingerência” nas decisões do governo e sequer participa das reuniões de gabinete. Ele destacou que a vice, ligada a setores militares e conhecida por sua posição negacionista em relação à ditadura argentina, estaria próxima do “círculo vermelho”, uma alusão aos opositores de esquerda. Enquanto Milei mantém uma relação institucional com Villarruel, ele confia principalmente em sua irmã, Karina Milei, que atua como secretária de governo.
Victoria Villarruel, que acumula o cargo de presidente do Senado, tem papel estratégico em um governo que não possui maioria no Congresso. No entanto, a distância entre ela e Milei pode comprometer a articulação política necessária para aprovar reformas fundamentais. A vice já enfrentou críticas por declarações controversas e pela defesa de militares da ditadura, o que contrasta com a postura de organizações de direitos humanos no país.
Crise econômica e desafios governamentais
O governo de Javier enfrenta uma crise econômica profunda, marcada por uma inflação anual que ultrapassa 280%. Desde sua posse, o peso argentino desvalorizou drasticamente, passando de 322 para 975 pesos por dólar, e projeções indicam que pode chegar a 1.207 pesos até 2025. Diante desse cenário, Milei implementou medidas de austeridade severas, incluindo cortes de gastos públicos e o fechamento de ministérios. Essas ações têm gerado forte resistência interna, especialmente de sindicatos e setores dependentes de subsídios.
Externamente, o presidente aposta em atrair investimentos estrangeiros para estabilizar a economia, enquanto lida com uma dívida de US$ 42 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Milei promete reduzir a inflação para 18% em 2025 e alcançar um superávit primário de 1,3% do PIB, metas que especialistas consideram difíceis de atingir.
A situação política e econômica da Argentina continua complexa. A relação distante entre Milei e Villarruel pode complicar ainda mais a governabilidade. O presidente precisa do apoio do Senado para aprovar reformas cruciais, e a instabilidade interna pode comprometer seus planos. O fortalecimento de Karina Milei como braço direito do presidente sugere uma centralização do poder em sua família, o que pode gerar críticas adicionais.