Casos graves de influenza quase dobram no Brasil e especialistas alertam para riscos respiratórios durante o período de frio
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo vírus influenza quase dobraram no Brasil entre janeiro e meados de março deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. O levantamento é do Instituto Todos pela Saúde, com base em dados do DataSUS, reunidos pelo Ministério da Saúde. Em 2026, foram registrados 3.584 casos, contra 1.838 no ano anterior. No mesmo período, mais de 800 pessoas morreram em decorrência de infecções causadas por vírus respiratórios no país.
Com a chegada das temperaturas mais baixas, cresce a preocupação com as crises respiratórias, especialmente entre crianças, idosos e grupos de risco.
Durante o outono e o inverno, as infecções respiratórias tendem a circular com mais facilidade. Isso acontece porque, nos dias frios, as pessoas permanecem por mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação. Essa situação favorece a transmissão de vírus. Além disso, o ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias, facilitando crises de tosse, falta de ar, chiado no peito e piora de doenças respiratórias já existentes.
De acordo com a infectologista da Santa Casa de Chavantes, Dra. Camila Real Pelloso, o frio não é o único responsável pelo aumento dos casos, mas cria um cenário mais favorável para a circulação dos vírus respiratórios.
“Neste época do ano, há uma combinação de fatores que contribui para o aumento das infecções respiratórias: maior permanência em locais fechados, menor ventilação dos ambientes e maior circulação de vírus. Para quem já tem alguma doença respiratória, uma gripe ou resfriado pode evoluir de forma mais grave e desencadear crises importantes”, explica.
Sintomas exigem atenção redobrada nos grupos de risco
Entre os sintomas mais comuns das infecções respiratórias estão febre, tosse, coriza, dor de garganta, dor no corpo, dor de cabeça, cansaço e mal-estar. Em alguns casos, o quadro pode evoluir para falta de ar, chiado no peito, dor no peito, febre persistente e queda do estado geral.
“A pessoa deve procurar atendimento médico quando houver dificuldade para respirar, febre que não melhora, piora progressiva dos sintomas, sonolência excessiva, lábios arroxeados ou cansaço intenso. Em crianças pequenas e idosos, a atenção deve ser ainda maior. Isso porque a evolução pode ser mais rápida”, destaca.
A prevenção continua sendo uma das principais formas de reduzir o risco de infecções e complicações. Entre os cuidados recomendados estão manter os ambientes ventilados, higienizar as mãos com frequência, evitar contato próximo com pessoas gripadas, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, manter boa hidratação e atualizar a vacinação, especialmente contra a influenza nos grupos indicados.
A orientação médica é que pessoas com sintomas respiratórios evitem a automedicação, principalmente o uso de antibióticos sem prescrição. O acompanhamento profissional é essencial para avaliar a gravidade do quadro e indicar o tratamento adequado.
“Nem toda crise respiratória é igual. Algumas são leves e podem ser acompanhadas com orientação médica, mas outras exigem avaliação imediata. O mais importante é não ignorar sinais de piora, principalmente em pacientes que fazem parte dos grupos de risco”, completa a infectologista.



