Brasil seguirá dependente de diesel importado até 2036, apesar da expansão das refinarias e do aumento da produção nacional de petróleo
O Brasil continuará dependendo da importação de diesel pelos próximos dez anos, apesar dos investimentos previstos para ampliar a capacidade de refino. A projeção consta do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), divulgado nesta terça-feira (3) pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Segundo o estudo, a demanda por diesel A, produzido a partir do petróleo, deverá crescer 19% entre 2026 e 2036, enquanto a produção nacional avançará 13%. Com isso, as importações líquidas do combustível deverão passar de 36,6 mil para aproximadamente 51 mil metros cúbicos por dia no período. O diesel é essencial para o transporte rodoviário de cargas e o agronegócio. A dependência externa mantém parte do abastecimento brasileiro exposta às oscilações dos preços internacionais e do câmbio.
Refino será insuficiente
O cenário ocorre mesmo com a expansão da produção brasileira de petróleo, que deverá alcançar 4,9 milhões de barris diários em 2036. Mais da metade desse volume será destinada à exportação. A capacidade de refino, por sua vez, deverá aumentar de 2,3 milhões para 2,5 milhões de barris por dia, avanço de aproximadamente 10% na década.
O crescimento será impulsionado por investimentos em refinarias existentes e novos projetos. Ainda assim, a expansão não será suficiente para acompanhar a demanda por diesel. O PDE prevê que o Brasil permanecerá importador líquido de derivados de petróleo durante todo o período analisado.
Gasolina poderá alcançar autossuficiência
Para a gasolina, a perspectiva é diferente. O governo projeta que o país poderá produzir internamente todo o volume necessário ao consumo até 2036. A estimativa considera a estabilidade da demanda, favorecida pelo aumento da mistura de etanol e pela expansão dos veículos eletrificados.
Em 2026, o percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina passou de 30% para 32%. O governo também estuda ampliar essa participação para 35%. Como o biocombustível substitui parte da gasolina derivada do petróleo, a mudança reduz a necessidade de produção e importação do combustível fóssil.
Importações de gás de cozinha também devem cair
O planejamento prevê ainda redução da dependência externa de outros derivados. No caso do querosene de aviação (QAV), atualmente com dependência de importações estimada em 16%, o Brasil poderá alcançar a autossuficiência até 2036. A projeção considera investimentos no refino e a adoção gradual de combustíveis sustentáveis de aviação.
Para o gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado como gás de cozinha, a produção nacional deverá crescer 22,5%, impulsionada pela expansão do processamento de gás natural. O estudo também aponta a necessidade de ampliar a infraestrutura de transporte e distribuição de combustíveis para acompanhar o crescimento do consumo. As estimativas do PDE 2036 servem de referência para o planejamento energético nacional e dependem da execução dos investimentos previstos.



