Alta do ovo reacende pressão sobre a cesta básica em São Paulo

Alta do ovo reacende pressão sobre a cesta básica em São Paulo

Preço dos ovos sobe mais de 9% e volta a pressionar a cesta básica do paulistano, segundo levantamento do Procon-SP


O preço dos ovos voltou a ganhar protagonismo na inflação dos alimentos básicos em São Paulo, pressionando o orçamento das famílias. A pesquisa mais recente da Fundação Procon-SP aponta que a cesta básica do paulistano subiu 0,31% entre janeiro e fevereiro. Apesar da variação moderada no índice geral, o comportamento dos ovos chamou atenção pelo ritmo mais acelerado de alta. No período, a dúzia passou de R$9,56 para R$10,44, registrando aumento de 9,21%. Esse avanço reforça um movimento que já havia sido observado entre 2024 e 2025.

O Procon-SP destaca que o fenômeno não é isolado e está ligado a fatores estruturais do mercado. Entre eles, o crescimento das exportações brasileiras, que reduz a oferta interna disponível. Ao mesmo tempo, a demanda doméstica segue aquecida, ampliando a pressão sobre os preços. Esse cenário cria um efeito direto no custo da alimentação básica. O impacto é mais perceptível entre famílias de menor renda. Isso ocorre porque os ovos são considerados uma das principais fontes de proteína acessível. Assim, qualquer variação relevante no preço tende a afetar o consumo cotidiano. O resultado é uma sensação ampliada de inflação no dia a dia.

Demanda aquecida e custos elevam preços

Especialistas apontam que a alta do ovo está inserida em um contexto mais amplo de consumo de proteínas no Brasil. O economista Gesner Oliveira avalia que o chamado boom das proteínas tem impulsionado a demanda de forma consistente. Em 2025, o consumo médio chegou a 287 unidades por brasileiro. Esse número representa crescimento de 6,7% em relação a 2024. Quando comparado a 2015, o aumento acumulado é de 33,4%. Esse avanço demonstra uma mudança no padrão alimentar da população.

Ao mesmo tempo, os custos de produção seguem pressionando os preços finais. Insumos como ração e energia continuam registrando valores elevados. Esses fatores reduzem a margem de ajuste dos produtores. No acumulado do primeiro bimestre de 2026, a alta do ovo foi de 3,98%. O preço médio saiu de R$10,04 em dezembro de 2025 para R$10,44 em fevereiro. Esse movimento indica uma tendência de elevação já em curso. Do ponto de vista inflacionário, o impacto é significativo. Isso porque afeta diretamente itens essenciais da cesta de consumo. O resultado é a redução do poder de compra das famílias.

Outros itens também registram alta

Além dos ovos, outros produtos importantes da cesta básica também apresentaram aumento de preços em fevereiro. O extrato de tomate teve alta de 8,78% no período. O valor médio passou de R$4,33 em janeiro para R$4,71 em fevereiro. Esse aumento está relacionado principalmente às chuvas, que afetaram a qualidade dos frutos. Com isso, houve redução na oferta de produtos em boas condições. No acumulado de 2026, a alta do item já chega a 3,74%. Outro destaque foi o feijão, que também registrou elevação significativa. O preço médio do quilo subiu de R$6,19 para R$6,58 entre janeiro e fevereiro.

Isso representa variação de 6,30% no período. Segundo o Procon-SP, a alta está ligada à oferta restrita e dificuldades na colheita. A produção menor em relação a 2025 também contribuiu para esse cenário. No acumulado do ano, o aumento do feijão já soma 8,05%. Esses movimentos reforçam a pressão sobre a cesta básica. O resultado é um ambiente de inflação persistente nos alimentos. Esse quadro exige atenção tanto de consumidores quanto de formuladores de políticas públicas.

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