Chef brasileira afirma que cozinhar junto pode tornar o Dia dos Namorados mais especial do que um jantar sofisticado
Fondue, vinho e reservas em restaurantes costumam liderar a lista de planos para o Dia dos Namorados. Mas, para a chef brasileira Cândida Batista, radicada na Europa há duas décadas e integrante da equipe de um restaurante selecionado pelo Guia Michelin em Viena, na Áustria, o prato perfeito para a data talvez tenha menos relação com sofisticação e mais com participação.
Pesquisas internacionais mostram que cozinhar junto fortalece a conexão emocional entre casais. A prática transforma a cozinha em um ambiente onde o casal conversa mais, divide tarefas e cria lembranças juntos, muitas vezes mais marcantes do que a própria refeição.
Para Cândida, existe uma tendência de associar romantismo a restaurantes sofisticados ou ingredientes caros. Na prática, “os momentos mais marcantes costumam surgir quando duas pessoas participam do processo, experimentam sabores e constroem algo juntas”.
Ela acredita que o que transforma uma refeição em uma lembrança não é o valor da conta no fim da noite. Para a chef, a experiência vivida durante o preparo, o tempo compartilhado e a sensação de estar verdadeiramente presente fazem a diferença.
Ingredientes como ostras, chocolate, gengibre, pimenta e morangos aparecem frequentemente associados ao desejo e à sedução, mas a chef acredita que o principal ingrediente continua sendo outro.
A experiência acima da receita
Na avaliação dela, “o maior afrodisíaco continua sendo a experiência compartilhada”. Segundo a chef, um prato preparado com atenção e intenção costuma gerar muito mais conexão do que qualquer receita considerada afrodisíaca. Ela explica que o fascínio por determinados ingredientes existe há décadas, mas que a atmosfera criada pelo casal costuma ter um impacto muito maior sobre a experiência da noite.
Risotos, massas frescas e sobremesas com chocolate costumam funcionar bem porque exigem participação dos dois durante o preparo. Segundo a chef, quando uma pessoa corta os ingredientes enquanto a outra cozinha, “a refeição começa antes mesmo de chegar à mesa”. É justamente nesse momento que o jantar deixa de ser apenas comida e passa a se transformar em lembrança. Para ela, cozinhar junto cria espaço para conversas espontâneas, cumplicidade e situações que dificilmente acontecem quando tudo já chega pronto.
Cândida também acredita que muitos casais colocam pressão excessiva sobre a data. Isso acontece quando tentam reproduzir experiências vistas em filmes ou redes sociais. Uma massa preparada em casa ou uma sobremesa feita a quatro mãos, segundo ela, pode gerar uma conexão muito maior do que uma noite inteira em um restaurante onde quase não existe interação.
Para a chef, o prato perfeito para o Dia dos Namorados não é necessariamente o mais elaborado, mas aquele capaz de criar uma memória. Isso acontece porque “a comida passa, mas a experiência fica”, e é justamente essa lembrança que costuma permanecer depois que a noite termina.



