Nova espécie de polvo azul descoberta em Galápagos intriga cientistas e reforça mistérios das profundezas do Pacífico
Uma equipe internacional de cientistas descobriu uma nova espécie de polvo nas profundezas do oceano próximo às Ilhas Galápagos, no Equador. O animal recebeu o nome científico de Microeledone galapagensis e chamou atenção pelo tamanho reduzido e pela coloração azul intensa. O polvo mede aproximadamente o tamanho de uma bola de golfe e vive em uma região pouco explorada do Oceano Pacífico tropical. A revista científica Zootaxa publicou nesta segunda-feira (25) o estudo que detalha a descoberta. A cientista Janet Voight liderou a pesquisa e afirmou que percebeu imediatamente que estava diante de algo incomum. Segundo ela, nunca havia visto um animal parecido em quatro décadas de estudos sobre a evolução dos polvos.
O primeiro contato com o animal aconteceu ainda em 2015, durante uma missão científica realizada a bordo do submersível E/V Nautilus. Os pesquisadores exploravam o fundo do mar utilizando câmeras operadas remotamente quando localizaram o pequeno polvo a cerca de 1.768 metros abaixo da superfície. Durante a expedição, a equipe coletou um espécime e observou outros dois animais semelhantes na mesma região. O material foi levado para a Estação de Pesquisa Charles Darwin, localizada na ilha de Santa Cruz, em Galápagos. Inicialmente, os cientistas não conseguiram identificar a qual espécie o animal pertencia. A raridade do espécime aumentou ainda mais o cuidado durante o processo de preservação e análise.
Pesquisa utilizou tecnologia avançada para preservar espécime raro
O pequeno polvo precisou passar por um processo rigoroso de conservação antes de ser estudado em detalhes. Os pesquisadores preservaram o corpo do animal em álcool e formalina antes do envio para Chicago, nos Estados Unidos. A equipe de pesquisadores analisou o espécime no Field Museum, um dos maiores museus de história natural do mundo. Como os cientistas possuíam apenas um exemplar do animal, a equipe evitou desmontar o corpo durante a investigação. Janet Voight explicou que a identificação de uma nova espécie normalmente exige o exame detalhado de estruturas internas, incluindo boca, bico e dentes. Para evitar danos permanentes, os pesquisadores utilizaram microtomografias computadorizadas capazes de criar imagens tridimensionais extremamente detalhadas. A tecnologia permitiu montar um modelo 3D completo do polvo, revelando características internas e externas sem destruir o espécime raro.
Segundo Voight, foi a primeira vez em sua carreira que ela liderou oficialmente a descrição de uma nova espécie de polvo. A pesquisadora afirmou que poucos seres humanos já tiveram contato com animais desse tipo, que vivem em regiões profundas e isoladas do oceano. A descoberta também reforça a importância científica das Ilhas Galápagos, arquipélago historicamente ligado às pesquisas de Charles Darwin sobre evolução das espécies. As águas da região abrigam diversas criaturas únicas e ainda pouco conhecidas pela ciência. Especialistas acreditam que grandes áreas do fundo do mar próximo às ilhas continuam inexploradas. O caso do Microeledone galapagensis mostra como novas tecnologias submarinas têm ampliado o conhecimento sobre ecossistemas profundos. A descoberta também destaca o potencial científico de regiões oceânicas que permanecem praticamente intocadas pela atividade humana.



