Fósseis de novo Spinosaurus gigante no Níger revelam predador semiaquático único e ampliam compreensão sobre dinossauros do Cretáceo africano
Pesquisadores anunciaram a descoberta de fósseis de uma nova espécie de dinossauro gigante no Níger, no deserto do Saara. O animal foi batizado de Spinosaurus mirabilis. Os pesquisadores divulgaram a identificação em estudo publicado na revista Science na última semana. Os fósseis foram encontrados em Jenguebi, área remota com formações de arenito ricas em vestígios pré-históricos. A expedição ocorreu após dias de travessia fora de estrada partindo da cidade de Agadez.
O material inclui partes de três crânios e ossos adicionais bem preservados. Estimativas indicam cerca de 12 metros de comprimento e peso entre cinco e sete toneladas. O dinossauro viveu há aproximadamente 95 milhões de anos, no período Cretáceo. O ambiente local combinava florestas interiores e sistemas fluviais extensos. Essa configuração favorecia predadores adaptados à água. A descoberta amplia o registro fóssil africano de grandes terópodes. Também reforça o protagonismo do continente na evolução de carnívoros gigantes.
Anatomia e alimentação
O Spinosaurus mirabilis apresentava focinho alongado semelhante ao de crocodilos modernos. Seus dentes cônicos se encaixavam formando armadilha eficiente para capturar presas escorregadias. Essa característica é chamada de interdigitação dentária. As mandíbulas eram ideais para perfurar e segurar peixes de grande porte. Entre as presas estavam celacantos e outros peixes do Cretáceo. O animal possuía ainda uma vela dorsal formada por longas espinhas ósseas.
Outra estrutura marcante era a crista craniana em forma de lâmina curva. A crista podia atingir cerca de 50 centímetros de altura. Pesquisadores acreditam que tinha função de exibição e reconhecimento visual. Possivelmente era revestida de queratina e cores vivas. A anatomia indica forte adaptação piscívora. Especialistas afirmam que caçava peixes com mais eficiência do que outros dinossauros. Essa especialização o torna único entre grandes predadores conhecidos.
Debate científico
O gênero Spinosaurus já incluía a espécie Spinosaurus aegyptiacus, descrita em 1915. Ambas compartilhavam vela dorsal e crânio adaptado à pesca. No entanto, a nova espécie apresenta focinho mais longo e dentes mais espaçados. A localização dos fósseis trouxe implicações científicas relevantes. O sítio fica entre 500 e 1.000 quilômetros da antiga costa cretácea. Isso sugere habitat interior, não marinho aberto. As narinas recuadas permitiam respirar com o focinho submerso.
A adaptação favorecia caça em águas rasas. Pesquisadores defendem que era semiaquático, não totalmente aquático. A descoberta enfraquece hipóteses anteriores de vida oceânica plena. O estudo também contribui para entender nichos ecológicos africanos. Para os autores, o achado redefine comportamentos do grupo. O Spinosaurus ganha novo destaque entre gigantes carnívoros. Pesquisadores consideram a descoberta um marco recente da paleontologia.



