Dietas radicais no início do ano podem causar danos ao fígado; cirurgião alerta para os riscos do emagrecimento rápido sem orientação médica
Janeiro chega acompanhado da tradicional corrida para eliminar os quilos ganhos nas festas de fim de ano. No entanto, a pressa por resultados rápidos pode trazer consequências importantes para a saúde. Dietas muito restritivas, especialmente quando feitas sem acompanhamento médico, podem provocar uma sobrecarga metabólica no fígado e favorecer o desenvolvimento de complicações hepáticas.
O alerta é do cirurgião gastrointestinal e especialista em transplante hepático, Dr. Lucas Nacif. Segundo ele, dietas da moda e métodos agressivos de emagrecimento podem desencadear a Esteato-hepatite Associada à Disfunção Metabólica (MASH), uma inflamação do fígado relacionada ao acúmulo de gordura no órgão.
“Durante o processo de emagrecimento, o fígado é responsável por metabolizar a gordura mobilizada. Quando a perda de peso ocorre de forma muito rápida, o órgão pode não conseguir acompanhar essa demanda, favorecendo o acúmulo de gordura nas células hepáticas e processos inflamatórios”, explica.
Em quadros mais avançados, essa sobrecarga pode evoluir para comprometimento importante da função hepática. “O fígado desempenha mais de 500 funções essenciais no organismo. Quando ele começa a falhar, o quadro exige atenção médica imediata e acompanhamento especializado”, aponta o cirurgião.
O risco das dietas sem acompanhamento
De acordo com o Dr. Nacif, o perigo é maior quando as dietas restritivas são feitas por conta própria. “É comum observarmos jejum prolongado, dietas com exclusão total de carboidratos e o uso indiscriminado de suplementos e shakes emagrecedores, tudo sem supervisão médica”, afirma.
Dados do National Institutes of Health (NIH) indicam que cerca de 16% dos casos de lesão hepática nos Estados Unidos estão associados ao uso de ervas e suplementos. Os esteroides anabolizantes representam um risco ainda maior. “Essas substâncias são hepatotóxicas e podem aumentar o risco de doenças graves, incluindo câncer de fígado”, alerta. Até mesmo vitaminas, quando consumidas em excesso, como altas doses de vitamina A, podem sobrecarregar o órgão.
Para quem já apresenta gordura no fígado, as dietas radicais são ainda mais arriscadas. No Brasil, a doença hepática gordurosa não alcoólica atinge cerca de 30% da população adulta. “São pacientes que já têm um fígado vulnerável. Submetê-lo a um estresse metabólico intenso pode acelerar a progressão para quadros mais graves, como fibrose e cirrose”, explica.
Sinais de atenção
Entre os sintomas que podem indicar sobrecarga hepática estão dor no lado direito do abdômen, náuseas persistentes, icterícia, quando a pele e os olhos ficam amarelados, e urina escura.
O Dr. Nacif recomenda que pessoas com histórico de doenças hepáticas, diabetes ou obesidade realizem exames antes de iniciar qualquer plano alimentar. “Testes de função hepática e exames de imagem, como o ultrassom, ajudam a identificar riscos e direcionar o tratamento de forma segura. A prevenção ainda é a melhor estratégia”, reforça.
Para pacientes com obesidade grave, o cirurgião destaca que a cirurgia bariátrica segue sendo um tratamento eficaz e seguro quando bem indicada. “A bariátrica promove uma perda de peso progressiva, com acompanhamento médico constante, o que a diferencia completamente de dietas extremas que colocam o fígado em risco”, conclui.



