A Corrida de São Silvestre completa 100 edições em 2025, reúne mais de 50 mil atletas inscritos e reforça a tradição histórica e o caráter democrático da prova
A Corrida Internacional de São Silvestre chega à sua centésima edição em 2025 consolidada como a prova de rua mais tradicional do Brasil. Idealizada pelo jornalista Cásper Líbero após assistir a uma corrida noturna em Paris, a competição nasceu com a proposta de ser disputada sempre no último dia do ano. A primeira edição ocorreu em 31 de dezembro de 1925, no período noturno, com largada no Parque Trianon, na Avenida Paulista. Naquela ocasião, 60 atletas se inscreveram, mas apenas 48 alinharam para a largada.
O percurso tinha 8,8 quilômetros pelas ruas de São Paulo. Alfredo Gomes venceu a prova e entrou para a história como o primeiro campeão. O atleta também ficou marcado por ser o primeiro negro a representar o Brasil em Jogos Olímpicos. Com o passar das décadas, a prova ganhou projeção nacional e internacional. A grafia original do nome, inclusive, trazia um Y em Silvestre. A pandemia da covid-19 impediu a realização da corrida em 2020.
Evolução esportiva
Inicialmente restrita a atletas brasileiros, a São Silvestre passou a aceitar estrangeiros residentes no país a partir de 1927. O italiano Heitor Blasi venceu duas edições nesse período e foi o único estrangeiro campeão antes da internacionalização definitiva. A partir de 1945, a prova passou a receber atletas de outros países, ampliando seu alcance global. Esse novo momento resultou em um longo período sem vitórias brasileiras, encerrado apenas em 1980 por José João da Silva. O triunfo teve forte impacto popular e emocionou o público nas ruas.
As mulheres começaram a competir em 1975, com vitória da alemã Christa Valensieck. Ao longo dos anos, nomes como Rosa Mota, Paul Tergat, Marilson Gomes dos Santos e Maria Zeferina Baldaia ajudaram a construir a mística da corrida. Marilson se tornou o brasileiro com mais títulos, somando três conquistas. Zeferina transformou sua trajetória de trabalhadora rural em símbolo de superação. Esses atletas ampliaram a identificação do público com a prova. A São Silvestre passou a inspirar milhares de pessoas a praticarem corrida de rua.
Recorde de participantes
A edição de 2025 marca o recorde de inscritos, com mais de 50 mil corredores confirmados. O número reflete a popularização da corrida de rua e o apelo histórico da São Silvestre. A organização adotou um sistema de largadas em ondas para garantir segurança e fluidez. Atletas cadeirantes e PCDs largam primeiro, seguidos pelas elites feminina e masculina. Em seguida, entram os pelotões de amadores.
A organização abre a prova para corredores de diferentes níveis técnicos e faixas etárias. Também existe a São Silvestrinha, voltada para crianças e adolescentes, disputada em outro dia. Para muitos participantes, o objetivo não é vencer, mas completar o percurso. A corrida se tornou um evento de celebração coletiva e encerramento do ano. Além do esporte, ela promove a ocupação do espaço urbano. Os corredores passam por pontos simbólicos da cidade de São Paulo. Esse conjunto de fatores mantém a São Silvestre como um dos maiores eventos esportivos do país.



